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  • Eli Borochovicius

Como é o seu castelo?


Ainda pequeno ouvi de minha mãe: ​ - As pessoas olham o seu castelo, mas não olham as pedras que você carrega. ​ Eu imaginava a época medieval, um homem forte, com barba, sem camisa, um pano marrom enrolado entre as pernas como se fosse uma sunga, descalço, sujo e suado, carregando aquelas pedras enormes sobre as costas morro acima. No topo da montanha, entre as nuvens, um castelo bem alto com uma porta em arco dando para um salão com escadarias dos dois lados, janelas grandes, um ambiente silencioso e luxuoso.

Era assim que eu me imaginava construindo o castelo, com um monte de amigos deslumbrados com o meu feito, mesmo que não tivessem se preocupado em perceber o sacrifício que foi carregar tantas pedras.

Obviamente minha mãe quis dizer que as pessoas enxergam somente as nossas grandes vitórias, sem se preocupar em analisar os esforços que foram necessários para atingi-las ou mesmo as derrotas que já enfrentamos. ​ As pessoas adorariam ser donas de uma grande empresa, mas não se arriscariam a investir em uma idéia que poderia não dar certo. O dono dessa grande empresa em algum momento arriscou.

As pessoas adorariam ser altas executivas de uma empresa multinacional, mas não se arriscariam a investir anos em estudos e tentar uma vaga na empresa passando por um processo seletivo que poderia não dar em nada. O alto executivo arriscou. ​ As pessoas adorariam multiplicar o seu dinheiro como faz um investidor, mas não arriscariam esse dinheiro em um mercado volátil. O grande investidor arriscou.

A conclusão que chego é que as pessoas são diferentes, correm riscos diferentes, seguem caminhos diferentes, possuem diferentes sonhos e conseqüentemente vivem de forma diferente. ​ As pessoas enxergam castelos diferentes e constroem castelos diferentes, de tamanhos e formas diferentes. Algumas com mais pedras, outras com menos.

Umas com pedras maiores, outras menores. Tem gente que se contenta até em morar no castelo do outro para não ter que carregar pedras. Nada disso está errado, desde que a pessoa tenha ciência do tanto de pedra que carregou (ou não) para a construção do seu próprio castelo.

A questão é que você deve construir um castelo do seu jeito, carregando o tanto de pedras que achar necessário, do tamanho que as suas costas agüentarem, no tempo que acreditar ser o ideal e depois de tudo isso, que possa olhar para o seu castelo e se sentir orgulhoso do que construiu. ​ Não se importe com o castelo dos outros, sinta-se vitorioso pelo que construiu, afinal de contas, está cheio de gente por aí com castelos maiores que o seu, mas construídos por outras pessoas ou mesmo prestes a desmoronar.


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