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  • Eli Borochovicius

Prova: Bicho de 8 cabeças


Já colocaram mais uma cabeça no bicho-de-sete-cabeças, tamanho é o desespero dos alunos ao ouvirem a palavra P–R–O–V–A. ​ É importante aos alunos compreender que a prova é, nada mais, nada menos, que o momento particular e pessoal que possuem para refletir e relembrar a matéria lecionada, demonstrando o que conseguiram assimilar.

Muitas faculdades no Brasil exigem média 7,0, o que significa exigirem que o aluno aprenda 70% de todo o conteúdo que foi passado. Outras faculdades exigem média 5,0, correspondendo a apenas 50% do aprendizado, aprovando o aluno que desperdiçou metade dos ensinamentos. ​ Considerando que a maioria dos professores aplica trabalhos individuais e em grupo para compor a nota bimestral, é factível afirmarmos que estão sendo jogados no mercado alguns profissionais com aproveitamento em provas de apenas 40%.

Convenhamos ser uma média muito baixa e que talvez seja uma das explicações à dificuldade que as empresas encontram em contratar profissionais qualificados. ​ O objetivo dos alunos não deve ser a nota, mas o aprendizado. A boa nota é em geral apenas uma conseqüência do grau de aprendizagem. Talvez as provas não sejam a melhor maneira de julgar a qualidade do aprendizado, mas o fato é que elas existem e demandam atenção.

Se os professores não exigirem que os alunos estudem, eles não se sacrificam o suficiente para aprender a matéria. É utopia imaginar que a maioria dos brasileiros, pela sua própria cultura, tenha iniciativa em buscar a informação por si só. Se não houver cobrança de nota como uma meta a ser alcançada, não deve haver esforços múltiplos em função, talvez, de uma visão míope ou de curto-prazo que os alunos têm em relação à sua carreira profissional. ​ Qualquer que seja a pressão externa, o aluno precisa estar tranqüilo em relação àquilo que sabe.

Uma história que gosto de contar aos meus alunos é a da “bolacha”. ​ Prometo entregar-lhe um pacote de bolacha por dia para que você coma obrigatoriamente no dia que recebê-lo. Parece tranqüilo digerir um pacote por dia, não? Agora imagine que eu me esqueça de lhe entregar os pacotes durante um ano inteiro e ao término do ano eu queira me redimir lhe entregando 365 pacotes de bolacha para serem consumidos em um dia só.

Fica bem difícil, não? Em relação aos estudos não é muito diferente. Se o aluno estudar todo dia um pouco, dá para “digerir” bem a matéria. Se esperar acumular os estudos para o dia da prova, pode ser que haja uma grande “indigestão”, não é verdade?

O que pretendo mostrar com essa história é que a prova não existe para que os alunos comecem a estudar, ela tem a finalidade de verificar como anda o aprendizado do aluno para que o professor possa, inclusive, trabalhar com mais afinco as principais falhas apontadas nas provas. ​ Assim, é importante que os alunos enxerguem a prova como um processo natural de verificação da qualidade do aprendizado e se empenhem em estudar sempre, afugentando de vez o temeroso bicho-de-oito-cabeças.


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