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  • Eli Borochovicius

Sua vida é um pernil?


Em outros países é comum o aluno participar, durante as férias escolares, de cursos para enriquecer o seu aprendizado, o que lamentavelmente não acontece no Brasil. ​ O reflexo disso é a má qualidade do profissional que entra para o mercado, resultando em baixa produtividade nas empresas e em última instância, como uma bola de neve, uma economia lenta para um país que poderia e deveria se desenvolver com uma velocidade muito maior. ​ É comum encontrar nas empresas, bem como no meio acadêmico, brasileiros que mal falam a língua vernácula, dizem ser pró-ativos como se a pró-atividade fosse exclusivamente o bom desenvolvimento de suas funções, deturpando a idéia de gente formadora de opinião, com iniciativa, descobridora, empreendedora, capaz de discernir a obrigação da criação, pessoas que buscam cumprir o seu horário em busca do seu salário e aceitam como verdade qualquer tipo de informação ao invés de pensar sobre o sentido das coisas, sugerindo inclusive, outras formas de se atingir o objetivo. ​ Existem exemplos simples, outros menos claros, mas “pegarei para Cristo” aquela velha história do “sempre foi feito assim”. Se tem uma coisa que me irrita é receber uma resposta cretina como essa. Certo dia, ouvi uma história que infelizmente não me lembro quem contou e me entristece não dar o crédito para o autor, mas ela resume bem o problema apontado. ​ Natal, os recém-casados convidam seus familiares para a celebração em sua nova residência. Como todo casal moderno, os dois estão na cozinha preparando a ceia quando a esposa pega o pernil e corta as pontas para levar ao forno. ​ O marido indignado, por apreciar demais as pontas do pernil, questiona à esposa o motivo dela assar o pernil daquela forma. A resposta que recebe é que o pernil fica mais gostoso com as pontas cortadas ... e a mamãe sempre fez assim. ​ Não satisfeito, consultou a sogra e recebeu a mesma resposta: fica mais gostoso e mamãe sempre fez assim. Vamos à vovó: ​ - Vovó, minha esposa corta as pontas do pernil e disse que fica mais gostoso dessa forma, que aprendeu a assar o pernil com a mãe. A sua filha diz que aprendeu a assar o pernil com a senhora. A senhora tem uma explicação razoável para isso já que para mim não faz o menor sentido? ​ - Simples meu filho. Como antigamente o fogão era pequeno, não cabia o pernil inteiro e então, eu cortava as pontas dele para caber no forno. ​ Para que a sua vida não seja um pernil, estude, busque cursos profissionalizantes nas férias, atualize-se e seja um profissional qualificado. Não se contente apenas com aquilo que chega até você, busque novas informações, ouça atentamente o que a mídia informa, busque a verdade, tire as suas conclusões, enriqueça o conteúdo e só então passe adiante, multiplicando o conhecimento.


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