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  • Eli Borochovicius

​A Bolsa não me aflige mais


Nascemos, crescemos e nos desenvolvemos ouvindo que a Bolsa de Valores é um negócio de alto risco. Da mesma forma, somos convencidos em nossa fase heteronômica (quando estamos sujeitos à vontade dos outros) de que devemos minimizar ao máximo todo e qualquer risco. Assim, aprendemos que a melhor forma para garantir nosso futuro é investir na casa própria e guardar nosso dinheiro na poupança como um complemento da previdência social, motivo pelo qual devemos trabalhar subalternamente durante anos em uma empresa qualquer.

Se você não quer ter dor de cabeça, busca viver sem muito conforto e não se importa com a redução de padrão de vida na aposentadoria, esses são bons conselhos. Mas, se seu objetivo de vida for diferente disso, é importante buscar alternativas que satisfaçam suas necessidades e desejos.

À medida que nos desenvolvemos, passamos a questionar as informações e saímos em busca de novas respostas. Ao lermos sobre o mercado financeiro e de capitais, percebemos que os investimentos em Bolsa de Valores, no longo prazo, não são tão arriscados como fomos seduzidos a pensar no passado.

Investimento é diferente de especulação, onde se faz necessário estudar e se apropriar de técnicas de investimentos, em busca de pequenas alterações nos preços de mercado. Para o especulador os prazos são tão curtos que contas matemáticas são necessárias para se certificar de que os ganhos, mesmo que sensíveis, aconteçam. Já investir na Bolsa de Valores nada mais é do que comprar um pequeno pedaço de uma empresa e, para tanto, ser merecedor dos lucros dela. O desafio é escolher a empresa que você quer ser sócio.

Certo dia, ouvi uma pessoa se queixando dos abusivos preços do pedágio. Então, resolveu ser sócia da empresa, comprando algumas ações. Tempos depois, à medida que os preços subiam e as estradas ficavam congestionadas nos feriados, mais feliz ficava. Ao invés de pagar juros, passou a receber juros.

Uma grande massa de consultores de investimentos diz que não se deve colocar todos os ovos em uma mesma cesta. A sugestão é diversificar o risco, montando uma carteira com ações de diversos setores. O problema é que, para isso, é necessário comprar uma quantidade de ações que demandam valores dos quais nem sempre dispomos.

Partilho do conceito de diversificação de risco, mas sugiro que parte do dinheiro poupado seja colocada em mercado de renda fixa, e a outra parte, mesmo que pequena, destinada a investimentos de longo prazo em renda variável. Desta forma, se você for um pequeno investidor, poderá colocar todos os seus ovos em uma cesta só, sem medo.

O entrave para pequenos poupadores de Bolsa de Valores é o custo. Um exemplo é a taxa de custódia cobrada pela CBLC, empresa responsável por guardar as informações sobre as transações de compra e venda de títulos, que muitas vezes é superior aos ganhos auferidos.

Como isso não é novidade, em especial para os gestores da Bolsa de Valores que desejam popularizar o mercado de capitais, é possível que, muito em breve, sejamos abrilhantados com uma notícia maravilhosa: a redução ou exclusão da taxa de custódia.

Se você ainda não investe nas empresas listadas na Bolsa, é momento de pensar seriamente sobre os motivos que o aflige. Se forem infundados, seja bem-vindo ao mundo daqueles que acreditam que é possível melhorar de vida como sócio de grandes empresas.


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