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  • Eli Borochovicius

Pedindo ajuda aos Indicadores


É bem incomum encontrar brasileiro disposto a investir no mercado de capitais, afinal de contas, além do risco mais elevado do que, por exemplo, o da poupança, é importante ter um conhecimento mais apurado para fazer a escolha adequada ao seu perfil. Poupança é um produto tão simples que não requer absolutamente nenhum tipo de controle ou conhecimento. Nem imposto de renda incide. Por outro lado, alguém conhece um único cidadão neste mundo que enriqueceu com os juros recebidos pela poupança, depois de corroídos pelo monstro da inflação? A conclusão a que chego é um tanto quanto óbvia. Quanto menos trabalho, menos esforço; quanto menos esforço, menos risco; quanto menos risco, menor a remuneração. Se investir no mercado de ações é, praticamente, comprar uma pequena fração de uma empresa e ter o direito de receber o seu lucro em forma de dividendos, além de outras possibilidades como bonificação, juros sobre capital próprio, direito de subscrição e a própria valorização da ação, quais são as dificuldades? Além do risco, as dificuldades estão em compreender o enorme volume de informações, que, por questões de transparência, precisam ser disponibilizadas ao investidor. É melhor comprar uma padaria ou uma farmácia? Depende. Da localização, da concorrência, de quem administra, do tamanho da empresa, da quantidade de funcionários, do lucro que ela gera, das dívidas que possui, da quantidade de dinheiro parado em estoque, enfim, é preciso ter uma quantidade grande de informações para tomar esta decisão. Estas informações, combinadas umas com as outras, geram os chamados indicadores financeiros. Como exemplo, temos o P/L (Preço sobre Lucro) que reflete o número de anos que o investidor precisaria para receber o seu investimento de volta se os lucros da empresa fossem constantes. Para obter este número, divide-se o preço da ação pelo lucro por ação. Quanto menor for o tempo, um tanto melhor. Assim como o P/L existe uma série de outros indicadores, normalmente divididos em indicadores de liquidez, atividade, endividamento, lucratividade e rentabilidade, cada qual com o seu propósito. A análise por meio de índices é usada pelos investidores para comparar o desempenho entre empresas do mesmo setor ou avaliar a performance da própria empresa em um determinado espaço de tempo. É importante salientar, no entanto, que os indicadores financeiros não oferecem evidências conclusivas sobre a boa gestão ou a existência de um problema, simplesmente dirigem o analista a uma potencial área de sucesso ou de preocupação. Desta forma, é possível dizer que um único indicador não oferece informações suficientes para o julgamento do sucesso de uma empresa; eles precisam ser comparados com base na mesma variação de tempo; se faz necessário certificar de que foram elaborados com os mesmos critérios e, se possível, reduzir a probabilidade de não refletirem a realidade da empresa. Portanto, é recomendável usar apenas informações financeiras auditadas. Compreender o que cada indicador financeiro reflete é importante para que o investidor tome a decisão de onde alocará os seus recursos, maximizando a sua probabilidade de acerto dentro do seu perfil de risco.


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