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  • Eli Borochovicius

Perdendo dinheiro?


Fui questionado quanto ao mau momento da Bolsa e, num dado momento da conversa, iniciaram as reclamações e os “choramingos” em relação à quantidade de dinheiro perdido com os momentos de crise. Parei para refletir sobre o exposto e questionei o motivo de estarem vendendo na baixa, quando fui surpreendido com a informação de que as ações permaneciam em carteira.

Ora, se as ações ainda não foram vendidas, não houve perda financeira, em especial se o objetivo inicial do investimento não alcançou o seu tempo de maturação. Concordo que deixar de ganhar ou perder é muito semelhante, mas neste caso, se o objetivo de investimento é de longo prazo e ainda não foi alcançado, não é justo contabilizar o prejuízo.

É possível que, para estancar perdas maiores no exterior, grandes fundos exerçam seus papéis mais líquidos no Brasil, derrubando os preços, ainda que as empresas listadas na Bolsa apresentem dados fundamentalistas maduros e consistentes. Portanto, o simples fato dos papéis estarem caindo pode significar, em curto prazo, uma redução patrimonial, mas não perda financeira, especialmente se as empresas estiverem distribuindo os seus dividendos normalmente e demonstrando situação financeira estável.

Todos sabem que devemos vender na alta e comprar na baixa. Desta forma, se a Bolsa está em baixa é momento de comprar e não de vender. O que me intriga é a preocupação exagerada do investidor de longo prazo em picos, seja de alta ou de baixa, deixando de realizar a sua estratégia inicial para agir sem ela, levando-se pelo “efeito manada”.

Outra preocupação que tenho é a mudança de estratégia quando o investidor se apropria de informações do mercado e descobre que é possível reduzir suas perdas na baixa, fazendo operações mais arriscadas como: o aluguel de ações, a venda de opção de compra ou a compra de opção de venda.

A busca frenética por redução de perdas pode acarretar em problemas ainda mais sérios, dado que o investidor não está preparado adequadamente para exercer o papel de especulador. É importante que, uma vez traçada a estratégia, o investidor a siga, mantendo-se calmo o suficiente para evitar distorções dentro do seu planejamento.

Se houver a compreensão da diferença existente entre perda financeira e redução patrimonial, possivelmente o efeito psicológico exercido pela tendência da manada será menor e o resultado almejado poderá aparecer dentro do prazo pré-estipulado.

Vale ressaltar que o investidor não precisa permanecer com os mesmos papéis em todo o período, principalmente se observar possibilidades de ganhos maiores em outros papéis, mas é importante que permaneça com suas reservas em renda variável.

Apesar dos números da Bolsa não serem motivadores, causando a impressão de que estamos perdendo dinheiro, existe outro ponto de vista, talvez mais otimista, que se baseia em acreditar que as baixas são grandes oportunidades de se comprar papéis a um preço convidativo e aguardar o momento oportuno de se obter bons ganhos.


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