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  • Professor Boro

Bolsa não é loteria


Uma das perguntas mais frequentes que ouço é “como faço para ganhar dinheiro na Bolsa?”. As pessoas buscam fórmulas milagrosas ou números mágicos para sair de dez mil reais e chegar a um milhão de reais em uma única tacada, como se a Bolsa de Valores fosse uma bolsa de apostas ou uma loteria, cujo resultado sempre sopra a favor. Quando explico que é importante conhecer o mercado, fazer cursos, acompanhar os preços, montar estratégias e definir objetivos, normalmente, as pessoas ficam apáticas, desestimuladas e demonstram certa revolta por não terem a varinha de condão com poderes sobrenaturais dos contos de fada, ou ainda a lâmpada dourada que, ao ser esfregada, sai o gênio concedendo sempre três desejos. Fazer o dinheiro render exige paciência, perseverança e a cultura de receber juros ao invés de pagar juros, o que considero o grande paradigma financeiro. E um aspecto que deve ser considerado, uma vez que fazer dinheiro implica em criar o hábito de poupar e conhecer o mercado, é o educacional. Quando falo de Educação Financeira, me refiro não apenas àquela relacionada aos conteúdos conceituais, mas também aos procedimentais e atitudinais. Antoni Zabala, autor do livro “A prática educativa: como ensinar”, explica que os conteúdos conceituais referem-se a um conjunto de fatos, acontecimentos, situações, dados e fenômenos concretos. Os procedimentais são um conjunto de ações ordenadas dirigidas a um determinado objetivo, como regras, técnicas, métodos, estratégias, procedimentos e habilidades. Já os atitudinais fazem referência aos valores, como princípios ou juízo de conduta, atitudes e normas, como regras de comportamento a serem seguidas dentro de uma sociedade, e são configurados por componentes cognitivos, afetivos e comportamentais. Investir exige não apenas o conhecimento técnico, mas também aspectos procedimentais como a tomada de decisão sobre o tempo em que o dinheiro ficará investido, o risco que poderá correr e a finalidade daquele investimento. Com os objetivos traçados, o investidor pode recorrer aos profissionais de mercado, que o auxiliarão no direcionamento estratégico, com a escolha dos ativos através de análises fundamentalistas e gráficas. Do ponto de vista comportamental, é importante que o investidor tenha a consciência de que o mercado de capitais é altamente volátil e, portanto, não deve mudar sua estratégia ou o direcionamento dos seus investimentos, agindo instintivamente e irracionalmente, mas sim perseguir o seu objetivo inicialmente traçado, aceitando alguns desvios em detrimento de uma análise criteriosa e fundamentada. Para ser investidor, não é necessário conhecer todas as opções de investimento que o mercado oferece, tampouco estudar para deter os conhecimentos necessários aos profissionais como operadores e analistas, mas receber as informações prontas, dirimir as dúvidas, definir os objetivos, traçar as estratégias, controlar os riscos e acompanhar o desenvolvimento para que as correções sejam feitas em tempo hábil. Você é o presidente mundial do seu bolso, desta forma, é você quem deve elaborar o planejamento e dar as diretrizes aos seus colaboradores para que possam trabalhar em consonância com os seus objetivos. É você quem deve cobrar os resultados e é você que colherá os bons frutos daquilo que for semeado, mas vale sempre lembrar: quem semeia vento, colhe tempestade.


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