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  • Eli Borochovicius

Carro Novo


Quem é que não gosta daquele cheirinho de carro novo, design moderno, lataria brilhando, com garantia de fábrica em caso de defeito? Todo mundo gosta! Mas essa população é consideravelmente reduzida quando a contrapartida do carro novo é mexer no bolso. Minha primeira justificava para a desistência de muita gente na hora de trocar o carro por um 0km é que, apesar do veículo ser tratado como um ativo, ele não pode ser considerado um bom investimento (dadas algumas restrições). Isso acontece em função de sua rápida depreciação e perda de valor de mercado. De forma mais simples e generalizada, comprar carro é perder dinheiro! É comum ouvirmos que ao retirar o carro da concessionária a perda é de 20%, mas os números mostram uma média de perdas um pouco menor, que ainda assim é expressiva. Achar que está “hedgeado” (protegido) da perda por uma apólice de seguros ao longo de um ano pode ser uma decepção para aqueles que não se atentarem às cláusulas contratuais. A maioria dos contratos apresenta o prazo de seis meses da aquisição do veículo 0km para garantir a indenização de um sinistro com Perda Total. Para que a garantia seja estendida por um ano, geralmente, se faz necessária a contratação de uma cláusula específica para a reposição de veículo 0Km por 12 meses. Outro erro comum no impulso pela compra do carro novo é esquecer de computar possíveis saídas de caixa, como a diferença do valor do IPVA, do seguro, dos acessórios e mão-de-obra para as instalações dos mesmos. Antes de adquirir um veículo novo, me parece razoável refletir sobre a real necessidade de gastar o valor ao invés de investi-lo. Concordo que desfilar de carro novo é muito bacana, mas me intriga ver gente se endividando sem a menor necessidade, ao invés de aproveitar a oportunidade para investir o dinheiro e aumentar seu patrimônio pessoal.


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