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  • Eli Borochovicius

Herança cultural


Nós brasileiros ainda temos incrustrada a cultura da aversão ao risco. Somos uma grande maioria de investidores em poupança e fundos de renda fixa. Outra opção ainda muito bem vista pelo brasileiro é o investimento em imóveis. Penso que são dois fatores principais que nos levam a agir desta forma. O primeiro é fruto da herança das gerações anteriores, que viveram no período da 2ª Guerra Mundial e tinham a necessidade de alta liquidez e baixo risco. O segundo é uma questão de dificuldade em compreender o mercado acionário e futuro.

Quanto ao medo herdado em relação aos investimentos de maior risco, é compreensível que haja uma resistência, afinal de contas, fomos bombardeados com lições do tipo: arrume um emprego estável, tenha a sua casa própria e faça uma poupança. Além disso, é natural do ser humano evitar o desconforto causado pelas mudanças e reagir tomando como verdadeiras as informações prévias que dispõe.

Um estudo com universitários, desenvolvido nos Estados Unidos, propôs compreender esse fenômeno comportamental. Foram entregues questionários aos alunos e buscou-se identificar aqueles que eram a favor e contra a pena de morte. Feitas as identificações, separaram os alunos em dois grupos com o mesmo número de pessoas. Aos grupos, foram entregues artigos que versavam sobre o assunto. Alguns destes artigos demonstravam tendência favorável à pena de morte, outros, porém, tendência contrária. Ao avaliar os resultados, não surpreendentemente, aqueles que eram a favor da pena de morte se mostraram ainda mais favoráveis, baseando-se nos artigos que apresentavam tendência positiva, e os contrários à pena de morte se manifestaram ainda mais desfavoráveis, fundamentando-se nos artigos com tendência contrária.

Esta experiência evidenciou que enxergamos tão somente aquilo que desejamos e que temos grande dificuldade em buscar a neutralidade, se é que ela existe, ou visualizar oportunidades que contrariam as nossas convicções, mesmo sendo injustificáveis.

O mercado de capitais não é novo e o avanço da tecnologia permitiu maior democratização dos investimentos em Bolsa de Valores. Muitos cursos sobre “Como investir em Bolsa?” são oferecidos, mas a questão não é saber de que forma o mercado funciona, mesmo que as estratégias de investimentos sejam necessárias para aqueles que buscam a especulação financeira. O âmago da questão é a Educação Financeira, como um modelo cultural que permita ao investidor compreender seus riscos e planejar suas finanças, com objetivos de curto, médio e longo prazo.

A Bolsa de Valores é apenas uma opção de investimento, entre tantas outras disponíveis. O que o investidor precisa é adequar os seus investimentos ao seu planejamento e fazer as escolhas mais coerentes. ​

Estamos aprendendo a passos curtos, mas com a nítida percepção da importância que o mercado de capitais tem como um instrumento de socialização da riqueza no longo prazo, obviamente atrelada ao risco.


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