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  • Eli Borochovicius

Visão equivocada


Ao falarmos de Bolsa de Valores, a primeira imagem que vem à cabeça são letras e números digitais em um painel eletrônico, caminhando na horizontal, da direita para a esquerda, alguns em verde e outros em vermelho, que aos olhos dos amadores, não dizem muita coisa.

Há os que ainda trazem a figura estampada de homens amontoados com enormes telefones na orelha e as mangas de seus jalecos movimentando no ar, em um ritmo frenético ao som de vozes furiosas com ordens de compra ou venda. Trata-se do pregão viva-voz, que já não existe mais.

Os gráficos que sobem e descem buscando explicar ganhos e perdas bem como números soltos, que correspondem a diferentes índices, indicadores e pontos garantem a ideia de complexidade e confusão. É a fotografia perfeita de um ambiente caótico, conturbado e definitivamente próprio para administradores e economistas, mas este retrato traz personagens e um fundo de tela equivocado.

É possível que esta visão míope que temos, acompanhada de outros fatores como a cultura do consumismo, falta de educação financeira e imediatismo materialista, atrapalhe o desejo da BM&FBovespa em angariar investidores brasileiros, pessoa física, para potencializar o mercado acionário, de longo prazo.

Por uma questão hereditária evitamos investimentos em renda variável, mas as experiências do passado não apenas não servem em sua totalidade para o presente, como também podem vir arraigados de erros cometidos por desconhecimento do mercado. Um exemplo simplório é o investimento de pequena monta em mercado fracionário, com menor liquidez, com objetivos de curto prazo.

Para o pequeno investidor, é recomendável que junte dinheiro para comprar ações em lote padrão, ainda que compre ações de uma única empresa. É bobagem diversificar a carteira de ações, desde que os investimentos totais já estejam diversificados em renda fixa e renda variável. Se estiverem direcionados apenas 20% dos recursos financeiros disponíveis para investimentos em mercado de bolsa, qual o sentido de diversificar ainda mais, entrando em um mercado de menor liquidez? Somos bombardeados com a ideia de diversificação, mas muitas vezes tomamos decisões que fogem à questão lógica racional.

É importante que os recursos financeiros alocados em mercado acionário sejam parte de um objetivo de longo prazo, desta forma, não faz sentido acompanhar o sobe e desce diário dos preços. As interpretações das informações financeiras são realizadas pelos especialistas das corretoras de valores, desta forma, cabe ao investidor analisar o material disponibilizado e tomar suas decisões. Cursos de análise grafista e fundamentalista poderão auxiliar na tomada de decisão, mas por analogia, é como buscar um curso de mecânico para aprovar um orçamento de manutenção do seu carro. É natural confiarmos na decisão do nosso mecânico de confiança, não é mesmo?

Supondo que tenha comprado um papel a R$30,00. Como o lote padrão é de 100 ações, o investidor teria R$3.000,00 em ações. Considerando que em uma semana o mercado caia 10%, qual foi a perda? Nenhuma! Não se perde dinheiro se a ação não for vendida. É importante mensurar o ganho ou a perda em longo prazo, acompanhando a estratégia traçada inicialmente.

Além disso, é importante que aquela imagem de números, gritaria e gráficos seja substituída por pessoas trabalhando nas empresas, em busca de resultados positivos, que serão entregues aos acionistas em forma de dividendos. O investidor não deve ser refém da volatilidade dos preços em curto prazo, mas beneficiado pelos bons resultados apresentados anualmente pelas empresas.


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