Buscar
  • Eli Borochovicius

Salário Mínimo


Em meados do mês de janeiro, o governador do estado de São Paulo sancionou a lei 14.945/13 que revaloriza o piso salarial mensal em R$755,00. De acordo com o que foi divulgado amplamente nos diversos meios de comunicação, o reajuste foi de 9,4%, mas este percentual refere-se ao último salário mínimo de R$ 690,00, reajustado no mês de março de 2012.

Se utilizarmos a média de salários ao longo do ano de 2012, que era de R$622,00 em janeiro e fevereiro, é possível dizer que o reajuste foi próximo de 11,25%. Já levando em conta a média de salários mínimos dos últimos cinco anos, chegamos a 72,57% de aumento. Isso significa dizer que R$100,00 recebidos em 2008, equivalem a R$172,57 em 2013, considerados os percentuais de aumentos médios demonstrados na tabela abaixo.

Variação média do salário mínimo nos últimos cinco anos*

2008 - R$437,50

2009 - R$490,42 - Variação de 12,10%

2010 - R$547,50 - Variação de 11,64%

2011 - R$590,00 - Variação de 7,76%

2012 - R$678,67 - Variação de 15,03%

2013 - R$755,00 - Variação de 11,25%

*A base de cálculo para o reajuste do salário mínimo considera a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores, somada a inflação registrada pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).

Apenas para efeito de comparação, um investimento com base na SELIC (taxa básica de juros) teria rendido apenas 62,84% nos últimos cinco anos, quase 10 pontos percentuais a menos do que o salário mínimo.

Dado que a inflação obviamente é inferior aos reajustes do salário mínimo, parece natural que sobre dinheiro no fluxo de caixa dos profissionais remunerados com base nestas variações, se mantido o seu padrão de vida. E não me refiro somente a quem recebe um salário mínimo, mas múltiplos dele.

O que fazem com esse dinheiro? Muitos optam por aumentar seu passivo, adquirindo bens e serviços, não raramente dispensáveis. Enquanto outros poucos escolhem economizar esse dinheiro, vislumbrando um investimento mais arrojado de longo prazo, tal qual o mercado de ações. Vale lembrar que é uma quantia extra no bolso do trabalhador e, ainda que descontada a inflação, sobra o suficiente para pensar em aplicações diferentes da famosa poupança.

Vejo um grande esforço da BM&FBovespa em ampliar o número de investidores Pessoa Física por meio da educação financeira, mas os avanços não parecem promissores. Será que falta um marketing de segmento mais intenso?

Penso que o maior receio do pequeno investidor não seja majoritariamente o desconhecimento do mercado de capitais, mas a aversão ao risco. O brasileiro culturalmente prefere a garantia da renda fixa, mesmo apresentando menor rentabilidade no longo prazo e usa como desculpa o pouco valor real aplicado, sem pensar de forma percentual.

Espero brevemente ver a nossa atual realidade modificada, observando nas ruas as pessoas mais preocupadas com a economia como um todo, a exemplo do que aconteceu com a Petrobras. O aumento irrisório dos preços dos combustíveis causou descontentamento do consumidor com o preço da gasolina e, por incrível que pareça, também dos acionistas.

Para finalizar, ressalto que para pequenos investidores não existe a cobrança do IR, já que o capital é inferior a 20 mil, da mesma forma que não há um valor mínimo para a compra de ações. Basta querer!


0 visualização

Posts recentes

Ver tudo

Finanças e Crianças: tudo a ver

Muitas crianças passaram a se interessar pelo universo financeiro - mas será que estamos caminhando com a educação da forma mais adequada? As crianças recordarão do ano de 2020 pelas mais variadas mud

PUC Campinas - Campus 1 | Rua Professor Dr. Euryclides de Jesus Zerbini, 1516  -  Parque Rural Fazenda Santa Cândida | Campinas - SP | CEP: 13087-571

  • Facebook
  • LinkedIn
  • Twitter
  • YouTube