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  • Eli Borochovicius

Saúde financeira é coisa de criança


É comum o questionamento de como é possível alguém falar de dinheiro ou dar dicas de finanças sem ser muito rico. Jim Collins, professor renomado do mundo empresarial, autor ou co-autor de seis livros, que já venderam mais de dez milhões de cópias em todo o mundo e responsável pelo prefácio do livro Sonho Grande, da autora Cristiane Correa, que conta a história do “Trio de Ferro”, ex-Garantia, e como revolucionaram o capitalismo brasileiro e conquistaram o mundo, trabalhou com centenas de presidentes de grandes corporações e estuda as empresas que atingiram a excelência, mas não dirige nenhuma multinacional. O fato de não ter dirigido uma empresa não tira o seu brilhantismo e sucesso. Estudiosos de finanças nem sempre exibem grandes fortunas, mas colecionam experiências e técnicas que permitem auxiliar as pessoas no processo de planejamento, controle e análise financeira. As Finanças Pessoais dizem respeito ao gerenciamento financeiro pessoal e familiar e buscam aprimorar as decisões de investimento e financiamento, de curto e longo prazo. As decisões de investimento são necessárias quando existe sobra de caixa, ou seja, as receitas superam as despesas, já as decisões de financiamento não dizem respeito exclusivamente à falta de caixa, mas também às possibilidades de maximização da riqueza por meio de estratégias que permitam a alavancagem financeira ou operacional, mas nesse caso, os estudos são mais avançados e aprofundados. O que muita gente sabe, mas não aplica, é a máxima das finanças: receitas maiores que despesas e recebimentos antes dos pagamentos, evitando o pagamento de juros. Se as receitas são menores que as despesas é porque o padrão de vida não condiz com a realidade e mudanças são necessárias. Mas, por que motivo as pessoas não conseguem administrar as finanças de forma adequada? Por que as pessoas se endividam? Por que estão sempre no vermelho? Parte da resposta está relacionada com a questão cultural e psicológica, não administrativa. As pessoas não disponibilizam seu tempo para planejar, evitam falar de dinheiro e não foram educadas financeiramente desde criança. No cabo de guerra temos, de um lado, as propagandas, os vendedores com um sistema de crédito implacável e os profissionais de marketing, que são bem treinados e vendem satisfação pessoal no curto prazo. Do outro lado está isolada, de forma tímida e sedentária, a sua consciência e responsabilidade, que almejam resultados no longo prazo. O treinamento do aspecto psicológico, aliado às técnicas de administração financeira podem facilmente vencer a batalha, mas se não houver preparação adequada, a derrota é iminente. É recomendável então que os estudos sobre finanças sejam iniciados em período escolar, preferencialmente a partir dos 8 anos de idade. Algumas escolas já oferecem programas de educação financeira, outras, estão estudando a inclusão na grade disciplinar. Os estudos em finanças permitem maior autonomia da criança, maturidade, senso de responsabilidade, autocontrole e por trabalhar em um ambiente cooperativo e colaborativo, potencializa a perspectiva da formação de cidadãos conscientes da necessidade de superação das desigualdades e do respeito ao ser humano. Se as crianças de hoje forem educadas financeiramente, as probabilidades de viverem em um Brasil melhor serão consideravelmente ampliadas.


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