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  • Eli Borochovicius

Nem tudo é dinheiro


Velho pensamento chinês e a experiência pessoal podem contrariar a ideia de que o dinheiro seja o objetivo a ser alcançado por quem trabalha.

As mudanças, muito comuns e bem aceitas pelo mundo do trabalho, são representadas pelas características positivas de pró-atividade, motivação, adaptabilidade, dinamismo e perspectivas de crescimento do profissional, marcadas, muitas vezes, pela possibilidade de maior remuneração. Por outro lado, a estabilidade no emprego pode sugerir maturidade, capacidade de relacionar-se no longo prazo, demonstrando elevados padrões éticos e morais, bom alinhamento dos objetivos pessoais com os corporativos, assimilação da cultura organizacional, poucos conflitos e harmonia no ambiente de trabalho.

Faz sete anos que leciono e trabalho na universidade e confesso que foram os melhores anos da minha vida. Trabalhar em um ambiente agradável, com pessoas inteligentes e de elevado padrão moral é um presente divino e que pretendo continuar recebendo por longos anos. O relacionamento com os professores, direção, administração superior, funcionários, alunos e ex-alunos é maravilhoso.

Em junho de 2016 a universidade comemorou 75 anos e 19,89% dos profissionais administrativos possuem mais de 20 anos de casa. Busquei conhecer a realidade das demais empresas da região, contando com a ajuda de uma companhia de Recursos Humanos, mas não recebi retorno. Penso que não seja expressivo o número de colaboradores com muitos anos de serviços prestados em uma mesma instituição.

O sábio chinês Kung-fu-tzu, do principado de Lu, em Xantum, nascido em 551 a.C., foi professor e seus ensinamentos eram regados de moralismo, justiça e sinceridade. Nenhum texto é comprovadamente de sua autoria, motivo pelo qual devemos ser cautelosos em lhe atribuir referência, mas suas meditações, que ainda hoje exercem imensa influência sobre o pensamento chinês, foram recolhidas por meio de seus discípulos. Confúcio, como é conhecido, em um dos seus pensamentos, se não for apócrifo, diz: “Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida”.

Não sinto saudade dos tempos em que as reuniões, muitas das quais eram contraproducentes, aconteciam em momentos simultâneos à entrega dos relatórios financeiros, das negociações complexas em que o objetivo era encontrar a melhor solução para a empresa e não para o negócio e das constantes pressões por resultados independentemente da situação política e econômica do país.

Não ficou nenhuma saudade das noites mal dormidas, dos cafés-da-manhã que desceram tortos só de pensar nos desafios do dia, programados ou não, e daquele frio na barriga a cada toque de telefone.

Atualmente trabalho muito mais. Manhã, tarde e noite. Os finais de semana não são completamente livres e são raros os momentos em que não estou estudando, lendo, redigindo textos, preparando aulas ou corrigindo material de aluno. Apesar de ser mais intenso é menos cansativo e muito mais prazeroso, me atrevendo a dizer, encantador.

A vida, porém, não é só trabalho. Deve ser constante o cuidado com o gerenciamento do tempo para que a família também seja atendida. Isso me fez lembrar da obra The Freedom Writers Diaries, baseado nos relatos da professora Erin Gruwell. que trabalhou em 1994 na Woodrow Wilson High School em Long Beach, California, após a criação de uma lei de integração racial, aprovada pela Secretaria de Educação. Ela havia se dedicado tanto aos alunos que o tempo para o marido ficou escasso e a separação foi inevitável.

Equilibrar o tempo destinado às atividades profissionais e familiares é um desafio que precisa ser vencido, especialmente quando encontramos uma atividade que nos conforte e cujo reconhecimento dos esforços seja corriqueiro.

Trabalhar é dedicar-se, servir, doar-se e garantir que os anseios daqueles que dependam dele, sejam atendidos.

Ouso aqui fazer uma pequena alteração no pensamento de Confúcio: Escolhe um trabalho de que te sintas útil à tua sociedade e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida.


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