• Professor Boro

Dinheiro de plástico já era!


Já imaginou ter um iPhone X ou um Samsung S9 na época em que a sua professora do colégio preparava as provas em mimeógrafo?

A primeira impressão é que seria um sucesso absoluto, mas naquela época, não existiam as tecnologias para fazer o seu aparelho celular funcionar, não havia internet, whatsapp, instagram, snapchat, facebook, linkedin, twitter e nem e-mail, portanto, seria uma inutilidade que, em tempos mais remotos, te levaria ao apedrejamento e fogueira por bruxaria.

É assim que eu venho me sentindo ao utilizar o sistema de pagamento por NFC - Near Field Communication, em tradução livre, Comunicação por Campo de Aproximação. Trata-se de uma tecnologia que permite a troca de informações entre dispositivos sem a necessidade de cabos e, por questão de segurança, limitada a uma distância curta, de aproximadamente 10 centímetros.

Com o uso dessa tecnologia é possível fazer o pagamento por meio de celular, relógio, pulseira e etiqueta, dispensando o uso do cartão de crédito ou débito. Além de ser um brinquedo interessante, evita que o usuário se carregue com carteira e um monte de cartões dentro dela, oferece maior segurança e ainda colabora com o meio-ambiente dispensando a fabricação e descarte do retrógrado dinheiro de plástico.

Acontece que, infelizmente, o Brasil não entendeu ainda que essa mudança vem ocorrendo a mais de um ano e vou contar três situações ridículas que passei em 2018.

A primeira delas foi em um restaurante. A despreparada senhora do caixa me cobrou, peguei a máquina, encostei o celular e de repente, ela a tirou da minha mão, como uma criança que não quer emprestar o seu brinquedo ao amiguinho e disse que ela tinha que fazer o manuseio. Até aí, tudo bem. Mas ela inseriu o valor e quando encostei o celular, me disse que queria ver o cartão. Pois bem, mostrei a tela do celular. Ainda assim, se recusou a receber com a famosa frase “não que eu esteja desconfiada”. Óbvio que não, é pura ignorância mesmo. Mas era a única forma de eu pagar. Era aquilo ou os pratos lavados. Ela optou por ficar com o recibinho amarelo que a máquina emite e fez uma marcação super especial para controlar o recebimento daquilo que o recibo diz que ela já recebeu.

A segunda foi no circo. As crianças querendo comer pipoca e tomar refrigerante e na hora de pagar, a mocinha do caixa diz que a máquina dela não recebe por celular. É verdade que tem um monte de comerciante que não habilita as suas máquinas por pura preguiça ou falta de capacidade de enxergar o presente mundo tecnológico, mas daí a nem tentar passar? As crianças ficaram sem, paciência.

No intervalo, não me dei por vencido, fui até o caixa e falei um pouco mais alto e mais duro:

- Qual o problema de eu TENTAR pagar com o celular? Se não der, tudo bem, mas se der, você faz a venda e as crianças ficam felizes. Não custa tentar!

- Vai perder o seu tempo e ainda passar vergonha, me disse a jovem do caixa.

Não preciso nem dizer que a segunda parte do espetáculo circense foi regada a pipoca e guaraná. Os olhos arregalados, os lábios caídos e a mudez da vendedora, mais conhecida como cara de m*, não vem ao caso.

A terceira e última situação foi na Etna. Essa merece ter o nome revelado. Compras feitas e na hora de pagar... a loja não habilita o pagamento por NFC. Caracas, uma Etna! Foi de doer. Doeu tanto que não tive coragem de fazer nada além de deixar o carrinho ali e continuar o meu caminho, como se nada tivesse acontecido.

Se o circo aceita pagamento por NFC, se a tiazinha desconfiada do restaurante do interior, mesmo que a contragosto, recebe, como pode uma Etna não aceitar?

Espero que em 2019 os comerciantes entendam que o NFC é somente uma outra forma de fazer o pagamento e habilitem as suas máquinas.

Abrir uma carteira, tirar um cartão de plástico e introduzir na maquininha, é para mim o mesmo que preencher 3 vias de um formulário carbonado à máquina de escrever, em que uma das vias ficará guardada em um uma pasta suspensa, na gaveta de um arquivo de aço, atrás de um balcão.


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