• Professor Boro

Inflação vai demandar austeridade

Os preços altos vão exigir mudanças nos planos dos brasileiros até o final do ano, incluindo consumo comedido na Black Friday, no Natal e na festa da virada do ano.


O momento financeiro para as famílias brasileiras é de austeridade, já que os preços dos produtos parecem exorbitantes.


A projeção anual para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – índice oficial do Governo Federal para medição das metas inflacionárias – foi elevada pela 28ª vez na perspectiva do mercado e o índice acumulou em setembro desse ano 6,9%, passando dos dois dígitos no acumulado dos últimos 12 meses, com 10,25%.


Para efeito de comparação, no mesmo período do ano passado, o índice era de 1,34%. Nos últimos 15 anos, só não foi maior que os 7,64% registrados em setembro de 2015, período de crise.


Apesar de a moeda americana ter sofrido uma leve queda em função da intervenção do Banco Central swapando US$ 500 milhões em contratos, o câmbio ainda pode ser considerado alto, fazendo com que exportadores privilegiem o atendimento ao mercado internacional, desabastecendo e inflacionando o mercado interno.


Com o dólar alto, sobem os preços das commodities negociadas no mercado internacional e, como são matérias-primas para uma série de produtos, há aumento de preços no mercado alimentício.


Com a seca, a produção no campo foi impactada e a oferta ficou reduzida, outro fator a ser considerado no processo inflacionário.


A gasolina, cotada em dólar, sofreu aumento de preço e então os produtores de açúcar enxergaram a oportunidade de abastecerem o mercado de combustíveis com o etanol mais caro. A consequência disso, além do aumento do preço do combustível, é a escassez do açúcar no mercado e a elevação do seu preço.


Sobe-se o preço da gasolina, sobe também o preço do gás. Os aumentos não param por aí, afinal, os plásticos, utilizados nas embalagens são derivados do petróleo. Aumentam os preços das embalagens dos produtos e aumentam também os valores dos fretes.


O consumidor passa a sentir o peso no bolso e, sem educação financeira, se endividar com taxas de juros altas, já que aumenta a inadimplência e a taxa básica de juros com o intuito de conter a inflação.


Além disso, como o país não investiu em infraestrutura energética, mesmo depois da recente crise, as termelétricas precisaram mais uma vez ser acionadas e o preço da energia subiu.


No final do mês de novembro, teremos a famosa Black Friday, que pode animar muitos consumidores a gastarem o seu 13º salário. Dezembro é Natal e momento de planejar a ceia, assim como o churrasco da virada do ano.


Com a gradual abertura do comércio, é possível que alguns brasileiros desejem viajar e gastar com passagem, hotel, aluguel de veiculo, restaurantes, bares e muita diversão.


A questão é que no mês de janeiro chegam os impostos sobre propriedade, a exemplo do IPVA e do IPTU. Como tudo subiu de preço, inclusive os veículos usados, é possível que o ano de 2022 venha com o IPVA mais alto, já que é cobrado um percentual sobre o valor venal do veículo e também com a cobrança do seguro obrigatório – DPVAT, que não foi cobrado em 2021.


O consumo é positivo para a economia, desde que realizado com responsabilidade. Gastar é bom, pagar é necessário. É momento de reflexão sobre as necessidades dos gastos e de planejamento orçamentário.


Como vimos, os preços estão subindo e não há garantia no aumento salarial, assim, é recomendável moderação nas compras e que sejam feitas com comedimento.


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